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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Deputado Titon promove debate sobre meio ambiente com estudantes de Campos Novos

Palestra traz à tona a preocupação com os cemitérios que podem se tornar uma grande ameaça à população

Deputado Titon Ministra palestra na Escola Paulo Blasi
O conhecimento adquirido por meio dos projetos desenvolvidos na Assembleia Legislativa e os anos trabalhados na área agrícola fizeram o Deputado Romildo Titon voltar às salas de aulas. Na última sexta-feira, 10/08, Titon ministrou uma palestra na Escola Paulo Blasi em Campos Novos, abordando os temas como as leis de proteção ambiental, o destino do lixo e os cemitérios como problemas ambientais.

Relator do Código Ambiental de Santa Catarina, o parlamentar deu uma verdadeira aula de educação ambiental. Lembrou que o Estado deu um exemplo ao Brasil, ao ser o primeiro a criar uma legislação própria regulamentando as questões de meio ambiente.

Com 1,3% do território brasileiro, o Estado é o quinto maior produtor do Brasil e mantém 41% de mata nativa. “Aqui nós conseguimos conciliar produção e preservação”, destacou ele, que acompanha as discussões sobre o novo Código Florestal Brasileiro, em Brasília.

Questionado sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Titon apontou Campos Novos como exemplo no tratamento do lixo. “Aqui, não há lixão e os resíduos são encaminhados para fora do município aos centros de reciclagem. Também há a cooperativa de catadores de lixo e a associação de cooperativas agrícolas que recolhem 90% das embalagens tóxicas”, lembrou o deputado.

Desde o dia 2 de agosto, alerta o Titon, municípios de todo o Brasil que solicitarem recursos federais para a área de resíduos sólidos devem apresentar seus planos de gestão no setor. Os projetos passam a ser um pré-requisito para análise dos pedidos de verba à União. Entre os objetivos desta determinação está o fim dos lixões no país até 2 de agosto de 2014 e o envio apenas de rejeitos - aquilo que não é reciclável - aos aterros sanitários.

O parlamentar ressaltou ainda que os administradores do futuro terão como grande desafio rever o conceito de cemitério, que se tornarão um dos maiores problemas ambientais das cidades.

Entenda a preocupação do Deputado Titon

Por: Giane Patrícia Pozzobon

Inimigo ambiental

Professor Alberto Pacheco - pesquisador do
Instituto de Geociências da USP
Muito recentemente a sociedade despertou para o fato de que os cemitérios são extremamente prejudiciais para o meio ambiente. Se forem instalados em terrenos inadequados, podem causar alterações físicas, químicas e biológicas. Estes impactos foram catalogados como físico primário e físico secundário.

O professor Alberto Pacheco - pesquisador do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – explica em seu livro “A AMEAÇA DOS MORTOS” que o impacto físico primário ocorre quando há contaminação das águas subterrâneas de menor profundidade (aqüífero freático) e, excepcionalmente, das águas superficiais.

Já o impacto físico secundário se dá quando há presença de cheiros nauseantes na área interna dos cemitérios provenientes da decomposição dos cadáveres.

Contágio das águas subterrâneas

Um corpo em estado de putrefação atravessa diversas etapas. A que mais causa danos ambientais é a fase humorosa também conhecida como coliquativa. É neste ponto do processo de decomposição que surge o necrochorume. Ele advém da dissolução pútrida das partes moles do corpo. A denominação de necrochorume segundo o professor Alberto Pacheco se deve ao fato de o mesmo ser muito semelhante ao chorume, líquido proveniente da decomposição dos resíduos orgânicos dispostos nos aterros sanitários. Pacheco explica que o necrochorume é um líquido viscoso, de cor acinzentada a acastanhada, cheiro acre e fétido, tem tendência a endurecer, além de ser rico em sais minerais e substâncias orgânicas degradáveis, incluindo a cadaverina e a putrescina, duas aminas tóxicas, também conhecidas como alcalóides cadavéricos.

Existe ainda um agravante.  Além de outros microorganismos, os corpos de pessoas vitimadas por doenças infecto-contagiosas podem liberar bactérias e vírus transmissores de doenças como a febre tifóide, paratifóide e hepatite infecciosa entre outras. Em contato com o solo, o necrochorume atinge as águas superficiais. Ele também contamina a chuva que se infiltra nos túmulos. Neste caso, se algum morador das proximidades utilizar a água de um poço, pode estar ingerindo substâncias altamente prejudiciais à sua saúde. Um corpo com 70 kg libera, em média, cerca de 45 litros de necrochorume.

Fonte: Orli Ricardo, com Reportagens de Giane Patrícia Pozzobon

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