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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Coutinho: Com ele é o Verde no Branco


O Gerente Financeiro que brilhou como promessa do esporte hoje usa sua estrela na beira do gramado

C

Coutinho com as cores do time do coração

om o intuito de proporcionar à população camponovense momentos agradáveis dentro da prática esportiva, o gerente financeiro da Copercampos, Ilceu Luiz Machado, o Coutinho, deixa os cálculos e negociações bancárias de lado para assumir no final de semana a função de técnico de futebol.
As mudanças que o “professor” Coutinho sofre são muitas, a começar pela vestimenta, que passa do tradicional social para o despojado agasalho. As cores neutras usadas no escritório ganham nova tonalidade, preferencialmente o verde e branco, cores do Palmeiras, time do coração e também da Copercampos.
A calculadora financeira dá lugar a prancheta. Já o controle de planilhas, levantamentos de juros e correções monetárias ficam na cooperativa é quando entra em campo os esquemas táticos e a análise individual de cada jogador.
Coutinho tem vasta experiência em ambas as áreas. Antes mesmo de ingressar na Copercampos em 1980, o esportista já se destacava nos campos e quadras, assim, despertava o interesse dos times da região pelo bom futebol que apresentava. Seguidamente consagrava-se artilheiro das competições que participava.
Por várias vezes, também, ajudou o time da cidade a chegar ao ponto mais alto do pódio, como no Campeonato Catarinense (fase Oeste) na categoria juniores, jogando pelo Grêmio Esportivo Zortea. O time que era formado por garotos de até 18 anos contava na época, além de Coutinho, com os jovens Gerson Paggi, Juarez Gasperin, Amarildo Marcon, entre outros.
A habilidade do garoto Ilceu chamava atenção, driblava para os dois lados, além de ter um chute potente de muita curva com a perna direita, recursos próprios que confundiam seus rivais.

Um drama na vida do atleta

       A dor de cabeça que Coutinho causava em seus adversários só não foi maior que a dor que ele sentiu na pele, ou melhor, na coxa, ao sofrer uma grave contusão aos 22 anos, após uma entrada desleal. Na ocasião, atuando na ala direita da quadra, Coutinho em mais uma das suas jogadas individuais tirou seu marcador da jogada e armou para o arremate. Sofrimento. Drama. Eram todas estas sensações e muito mais, eram sonhos que iam “por água abaixo” na mesma intensidade das lágrimas que caíam do rosto do jovem atleta. Por oito meses Coutinho tentou se recuperar, uma série de tratamentos foram realizados, mas nunca aquele jogador voltaria a ser o mesmo. A dúvida entre ser jogador ou não virou certeza, a carreira de atleta estaria totalmente descartada depois daquele episódio.
O desejo de brilhar no esporte ficaria interrompido por vários anos. Coutinho até voltou a jogar, mas não tinha o mesmo nível de antes, as dores e um novo problema, agora no joelho, limitavam seus movimentos. Saindo dos campos assumiu o posto de diretor de esporte e financeiro na cooperativa, um trabalho burocrático que não proporcionava o prazer e a paixão pelo futebol. No entanto, o destino ainda voltaria ser gentil com a antiga promessa.
No cargo de diretor, Coutinho sente orgulho em contar que viabilizou a vinda de Falcão a Campos Novos em 2001, um dos maiores jogadores de futsal do mundo. O jogo aconteceu num ginásio lotado, de um lado E.C Banespa de Falcão e do outro com as cores da Copercampos o time da Berlanda/Gaboardi. “Tínhamos uma boa relação com o pessoal de Curitibanos. Queríamos dar um pouco de lazer a nossa cidade, por isso entramos em contato com o time do Banespa, campeão sul-americano daquele ano, bem como, os atletas curitibanenses e fizemos um grande espetáculo”, lembra Coutinho.

O retorno aos campos

Time da Copercampos está 100%  no Estadual Não Profissional
Os anos passaram, Ilceu Luiz Machado já não era mais um garoto, bem pelo contrário, era um pai de família e dono de um dos principais cargos da maior cooperativa da cidade. À distância acompanhava o futebol regional. E assim como a bola o futuro deu voltas. Uma nova oportunidade daria novamente brilho aos olhos do esportista: ser comandante do time na beira do gramado.
 O ano era 2009, Coutinho assume a função de técnico num campeonato de amadores na cidade de Brunópolis. O time vai muito bem, sagra-se campeão de forma invicta, nasce uma nova razão para sorrir.
De lá para cá Coutinho concilia a atividade de treinador paralelo ao trabalho financeiro. Neste currículo recente já coleciona diversos troféus e conquistas à beira das quatro linhas. Atualmente é líder do Campeonato Estadual de Amadores com o time da Copercampos, com impressionantes 100% de aproveitamento em três jogos disputados. Detalhe, todos como visitantes. O time vem de uma vitória frente ao Atlético Camponovense, em um clássico local, e já convoca sua torcida para o próximo dia 29/04 na sua primeira partida jogando em casa.
Assim como muitos garotos, Coutinho sonhava um dia em ser um grande jogador de futebol. Nesta jornada alguns fatos mudaram a sua trajetória, fazendo com que ele decidisse mudar o seu caminho e apostar num novo sonho, o de ser um grande profissional de outra área que também era craque, a área financeira.
Como todo mundo diz o futebol é uma caixinha de surpresas, composto de vitórias e algumas frustrações, o grande barato é acreditar em cada jogada e assim como uma tacada financeira ter frieza nas decisões, mas nunca deixar de apostar. Sempre acredite, como diria o poeta, “o jogo só acaba quando de fato termina”, bola pra frente, o jogo ainda não acabou!

Fotos: Assessoria Copercampos

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